Esta é uma pergunta muito recorrente e que muitas pessoas me fazem. A resposta mais simples é: aquela que você já tem! Até mesmo o seu telefone celular pode ser a sua principal câmara numa viagem.
No entanto, o smartphone tem algumas limitações, como, por exemplo, uma qualidade de imagem inferior quando comparada com uma câmara fotográfica e o problema do zoom, que muitas vezes degrada a imagem (deixando‑a pixelizada), ao contrário do zoom de uma lente própria de uma câmara.
Para além disso, fotografar em ambientes com pouca luz usando o telemóvel tende a resultar em imagens ainda piores. Isto acontece porque o sensor fotográfico de um celular é muito pequeno quando comparado com o de uma câmara dedicada, e as lentes também são bastante pequenas. Mesmo em câmaras com sensores pequenos, as lentes costumam ser superiores às dos celulares.
Parece confuso, certo? Então vou explicar!
Sensores
As câmaras digitais possuem sensores de vários tamanhos: grande formato, full frame, APS‑C, micro 4/3, 1 polegada ou sensores pequenos, como os dos celulares.
De forma geral, quanto maior for o sensor do equipamento, maior será a qualidade da imagem.
No entanto, mesmo câmaras com sensores relativamente pequenos (como as famosas compactas e as bridges – super zoom) conseguem entregar fotografias de melhor qualidade do que um celular. Isso deve‑se principalmente às suas lentes, que são maiores, melhor construídas e incomparavelmente superiores às dos smartphones, permitindo assim obter melhores resultados.
Então, que câmara escolher?
Se você já utiliza o seu celular e pretende adquirir uma câmara para melhorar ainda mais as suas fotografias, vamos explorar um pouco este universo.
Câmaras de grande formato
São extremamente caras e, na minha opinião, nem devem ser consideradas, a menos que tenha muito dinheiro disponível. Entregam imagens de altíssimo padrão.
Câmaras full frame
São mais acessíveis do que as de grande formato e uma grande escolha (por exemplo: Sony A7 III, A7 IV, Nikon Z7, Lumix S5, entre outras). Ainda assim, continuam a ser caras, um pouco pesadas e exigem a troca de lentes. Entregam imagens de altíssimo padrão.
Câmaras com sensor APS‑C
Possuem sensores relativamente grandes, embora não sejam full frame, e são mais acessíveis em termos de preço. Também exigem troca de lentes e entregam imagens de alto padrão.
Câmaras com sensor micro 4/3
Têm sensores menores do que os APS‑C e preços mais acessíveis. Algumas permitem a troca de lentes e outras não. Entregam imagens de qualidade média a boa.
Câmaras super zoom (bridges) com sensor de 1 polegada
As câmaras super zoom não permitem trocar de lentes e têm um corpo robusto, semelhante ao de uma full frame. São extremamente versáteis, pois podem ir, por exemplo, de 24 mm até 600 mm (como a Sony RX10 IV) ou até 400 mm (como a Lumix FZ1000 II).
A má notícia é que este tipo de câmara, apesar de entregar imagens muito boas, ser extremamente versátil e ideal para fotografia de viagem, acabou por sair de linha. Confesso que gostaria mesmo de perceber por que motivo as marcas deixaram de investir neste segmento.
Estas câmaras entregam imagens de qualidade média a boa, dependendo das condições de luz. No geral, gosto bastante dos resultados. Contudo, em ambientes com pouca luz, a qualidade cai bastante, pois é necessário usar ISO elevado, o que compromete significativamente a imagem.
Câmaras super zoom com sensores pequenos
Existem também câmaras com um zoom impressionante, como é o caso das Nikon P900 e P950 (zoom ótico de 83x), ou as P1000 e P1100 (zoom ótico de 125x). Muitas pessoas compram este tipo de equipamento para fotografar a Lua, e os resultados podem ser surpreendentes! Já tive uma P900 (que entretanto deixou de ser produzida) e é uma câmara muito interessante para explorar o zoom. Para além disso, tira boas fotografias e pode ser utilizada em viagem, já que o zoom começa nos 24 mm e vai até ao limite máximo.
Também existem outras câmaras nesta gama de superzoom (com sensor menor), embora com menos zoom do que as Nikon: Sony, Canon, Lumix, entre outras. As nomenclaturas variam consoante o país. No entanto, não tenho visto grande evolução na produção deste tipo de câmaras. Elas parecem estar cada vez menos presentes no mercado, o que é uma pena, pois continuam a agradar a muitos utilizadores e têm boa qualidade para o seu propósito.
Câmaras compactas com sensores pequenos
Para além de todas as câmaras mencionadas, existem ainda as compactas: super pequenas, com sensores reduzidos, mas com algum zoom. Podem entregar imagens boas, muitas vezes até melhores do que as dos telemóveis. No entanto, em condições de pouca luz, a qualidade fica muito comprometida.
Decisão da câmara a utilizar na sua viagem
Depois de tudo isto, é hora de decidir com base no que você pretende:
Quer apenas tirar fotografias para publicar nas redes sociais, sem grandes compromissos?
Opte pelo smartphone mesmo!
Quer fotografias de altíssima qualidade, porque a fotografia de viagem é a sua paixão?
Opte por uma full frame.
Quer imprimir fotografias em tamanhos grandes, para exposições ou quadros?
Opte por full frame ou APS‑C.
Quer fotografias de qualidade média/alta para guardar, imprimir em tamanhos moderados e publicar nas redes sociais com boa qualidade?
Pode optar por praticamente qualquer uma, exceto as compactas pequenas.
Quer um zoom extraordinário para fotografar coisas que estão muito longe, mas sem qualidade profissional, apenas para “brincar”?
Opte pela Nikon P950 ou P1100 (a P1100 é uma câmera bem pesada, o que causa pouca estabilidade nas mãos, necessitando de um tripé para fotos de muito longe).
Quer uma qualidade muito boa de imagem e ainda um zoom bom para todo o terreno?
Opte pela câmera APSC ou Fullframe e escolha uma lente versátil: 18-200, 18-300, 24-250, etc.
Quer uma qualidade média de imagem e ainda um zoom bom para todo o terreno?
Superzoom que não troca de lente, mas que tem um sensor maior (1 polegada).